Código malicioso, também conhecido como malware, é qualquer software que danifica seus sistemas de propósito ou faz com que funcionem mal (ao contrário de um bug de software, que pode causar esses problemas de forma não intencional). Os motivos podem ser simples travessura, curiosidade ou uma demonstração de habilidade para se gabar. Infelizmente, o desenvolvimento e a distribuição de software malicioso costumam ter motivações bem mais sombrias: roubo de dados e de propriedade intelectual, resgate, chantagem ou sabotagem por lucro — e o alvo é você.
Este guia completo explica os tipos de código malicioso, como o malware chega aos seus computadores, celulares e outros dispositivos e quais são os impactos para pessoas e organizações. Também apresenta boas práticas e passos concretos para se proteger contra código malicioso e contra as ameaças cibernéticas usadas para distribuí-lo.
Tipos de código malicioso e os danos que causam
O código malicioso é classificado conforme seu comportamento e sua finalidade. O malware de computador começou como programas simples e relativamente inofensivos, que se replicavam entre sistemas por conexões de rede e até por dispositivos de armazenamento como disquetes e pen drives. Esse comportamento evoluiu para aproveitar novas tecnologias e explorar novas formas de danificar sistemas.
O cenário atual de segurança cibernética inclui códigos maliciosos como:
- Vírus é um termo guarda-chuva para malware que, ao ser executado, se replica e se espalha de arquivo em arquivo ou de sistema em sistema. Entre os exemplos estão o vírus ILOVEYOU, disseminado por anexo de e-mail, e o Elk Cloner, o primeiro vírus a se espalhar por disquete.
- Worms são um tipo específico de vírus de computador que se espalha por redes sem necessariamente depender de uma ação do usuário para infectar uma máquina. Worms de computador são capazes de causar danos e de se disseminar o bastante para virar notícia. MyDoom (usado para enviar spam a partir de máquinas infectadas) e Conficker (um worm que se espalhou rapidamente e infectou servidores, mas nunca chegou a ser plenamente explorado), por exemplo, infectaram milhões de máquinas e causaram bilhões de dólares em prejuízos.
- Rootkits permitem que invasores mantenham presença nos computadores depois da infecção. Esse código malicioso vive nos níveis mais baixos do sistema operacional, escondido do antivírus e dos softwares de segurança. Assim, consegue reinfectar sistemas mesmo depois da limpeza, e algumas infecções por rootkit podem ser, na prática, permanentes. Há um guia em vídeo sobre como detectar e remover rootkits.
- Cavalos de Troia (ou apenas trojans) são softwares maliciosos disfarçados de programas legítimos, com o objetivo de enganar quem os abre (daí o nome). Depois de executados, abrem ou criam caminhos para que invasores contornem proteções (como firewalls) e obtenham acesso ao seu computador ou à sua rede. Entre os trojans famosos estão o Zeus, que rouba informações bancárias de computadores Windows, e o Emotet, usado para se infiltrar em um sistema e depois baixar outros malwares.
- Ransomware criptografa seus dados para que não possam mais ser usados sem uma chave de descriptografia. E, claro, essa chave só chega se você pagar ao invasor uma bela quantia. Os ataques de ransomware costumam mirar empresas que precisam acessar seus dados para operar e podem vir acompanhados da ameaça de divulgação pública de informações sensíveis caso o resgate não seja pago (o que lhe rende o nome alternativo de extortionware).
- Spyware coleta informações do seu dispositivo às escondidas (e, por tabela, sobre você), incluindo capturas de tela, gravações de câmera e áudio e tudo o que é digitado. O objetivo desse monitoramento secreto geralmente é vigilância, chantagem (não é à toa que muitos profissionais de TI mantêm a webcam tampada) ou roubo de identidade.
- Adware é um software malicioso que chega ao seu computador (normalmente de carona com algum programa que você queria instalar, como um “recurso” extra) para exibir anúncios. O adware muitas vezes também é spyware, já que registra sua atividade para tentar entregar anúncios relevantes ou assustar você e induzir à compra de um produto desnecessário.
Vírus, worms, rootkits e trojans costumam descrever o método de infecção do código malicioso, enquanto ransomware, spyware e adware descrevem a intenção e os resultados da infecção. Um malware pode se encaixar em uma ou mais dessas categorias, dependendo de sua complexidade.
Ameaças cibernéticas: métodos de infiltração e como preveni-los
Existem vários métodos de infiltração que dependem da ação do usuário e que vale conhecer, para que você não se torne o meio pelo qual hackers infectam seus dispositivos pessoais ou de trabalho.
Ataques de phishing
Os ataques de phishing imitam terceiros (seu banco, o governo ou seu provedor de e-mail, por exemplo) para que você entregue por conta própria informações sensíveis, como senhas ou dados bancários. Isso é feito com o envio de e-mails falsos (que muitas vezes levam a telas de login falsas, criadas para roubar senhas) ou por telefonemas em que alguém se passa por agente de suporte e avisa que há um problema e que precisa dos seus dados para resolvê-lo. Quando os ataques de phishing são bem pesquisados e altamente personalizados, recebem o nome de spear phishing.
Downloads automáticos (drive-by downloads)
Drive-by downloads entregam código malicioso ao seu computador a partir de sites infectados, com downloads disfarçados ou automatizados que instalam softwares sem o seu consentimento. Os navegadores estão cada vez melhores em barrar esse comportamento, mas é importante ficar atento e não clicar em nenhum aviso inesperado de download, instalação ou segurança.
Da mesma forma, anexos de e-mail infectados chegam à caixa de entrada com frequência. Por isso, use um provedor de e-mail que filtre essas mensagens, somado a um antivírus que impeça a execução nos seus dispositivos (e, como boa prática, nunca abra anexos inesperados, venham de quem vierem).
Sites maliciosos
Também vale desconfiar de sites maliciosos: a internet ainda é terra de ninguém, e qualquer pessoa pode criar um site que se passa por outro legítimo ou que faz promessas mirabolantes em troca de informações sensíveis. Prefira sites e serviços com boa reputação (confira avaliações on-line) e analise com cuidado qualquer site que peça dados pessoais. Isso vale especialmente para sites que querem autorização para se conectar à sua conta de e-mail, de pagamento e de trabalho.
Verifique também a legitimidade das lojas on-line e confirme que usam um gateway de pagamento seguro, para que seus dados de pagamento não sejam roubados durante a transação.
Outro ponto importante: baixe softwares apenas de fontes confiáveis, como lojas de aplicativos oficiais e vendedores on-line de boa reputação. Resultados de buscadores costumam estar envenenados com links falsos disfarçados de anúncios de softwares legítimos, então confirme sempre que está baixando da fonte correta. Mantenha também seus softwares atualizados — muitos agentes de ameaça usam kits de exploração para entregar malware por meio de vulnerabilidades conhecidas (e muitas vezes já corrigidas).
Engenharia social
Garanta ainda que as pessoas ao seu redor estejam atentas a esses vetores de ataque: se caírem em um código malicioso, o invasor pode infectar seus dispositivos a partir dos delas, caso estejam na mesma rede, ou usar contra você as informações que elas têm, por mais que você se proteja. A engenharia social é uma ferramenta poderosa para hackers, que muitas vezes conseguem as informações sensíveis que procuram sem digitar uma única tecla: basta um telefonema e algumas perguntas simpáticas a colegas, amigos e familiares bem-intencionados.
Impactos em sistemas e redes (e em pessoas e empresas)
Os impactos do malware sobre pessoas e organizações podem ser catastróficos. Indivíduos sofrem enorme dano psicológico e emocional só com a ameaça de ter informações privadas divulgadas ou o dinheiro suado roubado, enquanto organizações enfrentam consequências financeiras e até regulatórias após um incidente de segurança cibernética.
Nas empresas, a corrupção de dados e sua perda podem destruir propriedade intelectual importante, gerar indisponibilidade de sistemas e interrupção das operações e até ameaçar a continuidade do negócio, por conta de prejuízos financeiros e danos à reputação. Acessos não autorizados e vazamentos de dados também têm consequências jurídicas. Não proteger adequadamente informações de identificação pessoal (PII), por exemplo, pode levar a ações judiciais movidas pelos seus usuários ou a multas pesadas sob regulamentações de privacidade como GDPR e CCPA.
Um estudo de caso recente sobre o quanto um ataque cibernético pode ser devastador é o ataque à cadeia de suprimentos da SolarWinds. A SolarWinds fornecia software de monitoramento e gerenciamento a muitas organizações de peso, mas foi ela mesma invadida, e sua plataforma acabou usada para distribuir código malicioso aos clientes.
Mais de 30.000 organizações foram afetadas, todas com redes e dados comprometidos em um único (porém complexo) ataque. O dano financeiro e de reputação é significativo e continua em curso, e os efeitos sobre as pessoas que tiveram dados roubados (e talvez nem saibam disso) são impossíveis de quantificar.
Medidas de prevenção e proteção contra código malicioso
Os ganhos que os agentes de ameaça buscam ao usar software malicioso contra você são evidentes, e o dano causado a você ou à sua organização não é problema deles — costumam estar bem longe de qualquer consequência. Então o único recurso real é não ser alvo e não ser infectado desde o início.
Há várias boas práticas de segurança a adotar para não virar vítima de software malicioso e de ameaças cibernéticas:
- Instale antivírus e software antimalware nos seus dispositivos.
- Mantenha seus softwares atualizados.
- Garanta que a equipe esteja atenta e conheça os vetores de ameaça mais comuns, como anexos de e-mail, downloads maliciosos, phishing e engenharia social.
- Mantenha uma segurança de rede robusta, com firewalls e monitoramento da rede em busca de atividades suspeitas.
- Faça backups regulares e teste seus planos de recuperação de desastres.
Use também ferramentas de comunicação seguras, com criptografia, para evitar que informações sensíveis aproveitáveis em ataques de engenharia social sejam descobertas com facilidade.
Veja um guia em vídeo que mostra como se proteger contra código malicioso.
Reforce suas práticas de segurança com detecção e resposta automatizadas
Medidas proativas são essenciais para se proteger contra código malicioso, mas, quando um sistema é comprometido, é preciso agir na hora para isolar e limpar a infecção.
Com um software de monitoramento e gerenciamento remoto (RMM) que se integra às melhores plataformas de segurança da categoria, você responde rapidamente a incidentes de segurança, da infecção por malware ao acesso não autorizado decorrente de engenharia social.
